sexta-feira, 8 de junho de 2012

cena longa e lenta

sem métrica...sem rima....sem prosa...que dirá poesia...
                                                                          sem eira nem beira.
me ausentei por uns dias
morri de saudade
não sei se foram os                       guizos
alguma coisa me despertou

ou a falta de ar.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

ehlo ♠

O anoitecer decora a penumbra nos vitrais
reflete o mundo
uma exposição gratuita

olho o mundo
olho o reflexo do mundo
estou no mundo
não estou no reflexo do mundo

será que vão acreditar?

entrei no ônibus e fui embora.

terça-feira, 15 de maio de 2012

"...ele se infiltrou no povoado como uma cobra venenosa..."

Sim, sou o veneno.
um tipo de deus que mata e ressuscita.
sou aquela, a indesejada, mas não por unanimidade,
não poderia estar viva se fosse o contrário,
não suportaria a morte por asfixia,
prefiro assim, o enforcamento diário pelas cordas que me dão.

Meu veneno são os olhos, que vêem e enxergam,
os ouvidos, que armazenam o silêncio das falas.
meu veneno é o contato, o sentir físico
o imediatismo do desejo.

Meu veneno tem gosto de dúvida, é ácido.
É o perceber, o questionar, o tornar real.

E, na pontas dos pés, de passo em passo dou meus saltos
para tilintar nos ouvidos do eco
e confundir seus achismos.




segunda-feira, 7 de maio de 2012

por fim; o começo


De tempos em tempos tiro a poeira dos ombros,
estico os membros, estralo os ossos
para perceber se esse corpo me cabe

Vez ou outra gosto de me entristecer,
para ver se cresço um bocado
Gosto dos tapas bem dados e das palavras
precisamente ditas em horas inoportunas,
que é para perceber se ainda sinto alguma coisa

Experimento o amargo e em seguida o doce,
para me conflitar um pouco
Mato e faço viver sensações distintas,
para ver se me obedeço

Leio romances chatos para lembrar do que não quero,
alimento a ficção para levar uma vida melhor

e, por fim; o começo.
Agarro-me aos detalhes para tentar ser humana.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Verso para Clarice

É que eu também sou o escuro da noite e de todo eco que o compõe.Quando grito o silêncio, é tempo perdido, coisa que palavra nenhuma consegue escapar. E se dita no auge da pretensão, torna-se repleta de sentido nenhum.Lancei-me, mergulhei por inteira, perdi o fôlego e afoguei-me numas mágoas imbecis. Defeitos.
Não posso fazer nada quanto a me equilibrar no caos, acho que é coisa de circo, um talento passado que deixou sinais. Quanto valem esses receios enquanto escrevo? Não mais que minhas outras sensações, e por isso, percebi que esse é mais um daqueles bilhetes que trocamos sem segredo.