quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

leve ♣

Colecionei pequenos amores
até que a bagagem se fez pesar
desde então lanço ao mundo a libertação desses prazeres
penso que, alguém, em algum lugar também faça isso
e se tivermos a sorte dos grandes
tropeçaremos em amores maiores.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

auto, Lá.

Constipada, vidrada no vidro
imagem adorada
vou me tratar, meu bem
antes que me perca

expresso de qualquer hora
viagem rasa, pouca bobagem
to à toa e não posso
to doente e não quero
to a minha frente
sempre ao meu lado
doença besta
auto retrato

o tempo tem passado depressa
minhas coisas estão velhas
vou trocar de chapéu
e dar um jeito nisso
que sem tempo e com pressa
eu não fico

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

os anseios de um só trituraram os amores de dois
não implore por outro
um amor não se pesca

outra noite massacrou o dia
as cores se confundiram todas
um finito branco

mas um corte sempre sangra
uma cicatriz incomoda
e se agradece pela gota que escorre

uma esperança vermelha para dar sentido
uma gota para quebrar o vácuo branco



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

#

Estou longe de ser o que quero ser.
Senti pressa, sorrisos claustrofóbicos e o xadrez.
Não reclamo, ao menos, tento.
Não reclamo mas sinto pressa, cansei de negar.
Não.
Aprendi a dizer, disse o suficiente pra me cansar de não.
Bem vindo vento da janela...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

♥♠


eu respiro
você responde
eu repito
você repele
eu toco
você retoca
eu perco
você acha
aproximo
você sente
eu degusto
você come.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

Três Caminhos

Insistem em clamar por sinceridade, no diálogo dos olhos, nos desejos, no mexer da boca, como se eu pudesse evitar. Poderia, até. Mentiras faladas para quem escolhe se iludir, consciente ou inconscientemente, mas ainda não consigo e não preciso esconder olhares. Não quero. E no momento em que lanço a sinceridade, já não gostam mais de mim, é assim, imediato. Entendo o desejo de  mentir por querer ouvir o que é sincero, entendo, mas não o faço.Quando percebo, me recolho e quando isso acontece, existo. Será possível o silêncio também mentir? O elemento que gera a força para fazer engrenar o círculo do que é entendido por viver, pode também se iludir? Não sei, desconheço, sinceramente, a verdade, ainda que contestável. Sei que gira, o mecanismo oxidado, se move ruidosamente com dificuldade, sempre girou. Me interessa o colápso individual, que, as vezes, eu mesma causo por diversão. Brincadeira perigosa e vívida. Necessária. Quando digo, as palavras, lentamente, se fortificam no vazio cheio do espanto. Inesperadamente, alguém ouviu o contrário. Como pode a vontade ser contrária ao desejo? O homem tem a ideia, depois pensa, depois fala. Três caminhos. Perdeu-se.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

síaL

 

s. m.
[Geologia]  Zona externa do globo terrestre composta essencialmente de silicatos de alumínio, cuja espessura vai de 10 a 15 km, e cuja densidade é de 2,7 a 3.

Meu contrário é o que me prende à terra.
Por pouco.

terça-feira, 12 de junho de 2012

carta curinga

Esse post é para agradecer as visitas que vocês me fazem!
Escolhi um capítulo do livro Filosofia da Arte; a Metafísica da Verdade Revelada Estética da Beleza, do Huberto Rohden, para comentar.
Tilintem!
Obrigada!


                                    Silêncio de Vacuidade e Silêncio de Plenitude

No capítulo IX de seu livro, Filosofia da Arte, Rohden coloca em questão a importância do silêncio e seus sentidos no processo criativo e essencial do homem. As conseqüências que a presença, assim como a ausência do silêncio exercem na vida, a boa e a má utilização disso, que Rohden diz ser a origem da genialidade.
Durante a leitura, surgem alguns termos que caracterizam bem e diferem os homens, a partir do silêncio. O homem primitivo, segundo o autor, é o sujeito que precisa do barulho, ruído para se mostrar vivo, como se fosse uma auto afirmação do existir. Para essa categoria de ser humano, o silêncio não traz benefício algum, a conotação é puramente negativa, enfraquece a matéria, perturba.
Possivelmente, a razão dessa perturbação surge da falta de conhecimento próprio, da ausência da conexão consigo mesmo e também da conexão com o Cosmos, partindo do pressuposto de que somos um universo dentro de outro. O abstrato não é percebido, e então, a necessidade de exteriorizar o estar, o existir, se realiza através dos ruídos. Quanto maior for o desconhecimento próprio, maior será a quantidade de barulho.
Desde o início do texto, Rohden afirma que o silêncio está ligado ao saber, ao ser como um todo, ao processo criativo que, sem o silêncio, torna-se superficial até mesmo à existência. Mas como tornar o silêncio presente num universo tão ruidoso, se cada vez mais nos é exigido agilidade e praticidade? Quase não se tem tempo para o tempo, que dirá para silenciar.
O silêncio pode e deve se tornar um exercício auto construtivo  em qualquer âmbito do ser humano. Quando entendemos e aceitamos o silêncio e sua plenitude, entramos em contato com a essência do que é Ser, deixamos de existir por existir e passamos a descobrir o que somos.
A ausência do som é portátil, pode-se carregar o silêncio e fazer seu uso em qualquer tempo, mesmo que hajam ruídos. Quando o homem percebe essa possibilidade, torna-se, segundo Rohden, semi primitivo, ou seja, mais interessado em ser do que meramente existir e isso o torna mais sábio. O silêncio é abstrato, não tem lugar e está presente em tudo, para quem o percebe. É a Verdade, a essência, o que somos.
O processo de desprendimento dos vícios pelo ego é árduo porque é cômodo, as virtuosidades humanas podem sim, ser apreciadas, porém, não devem assumir importância maior do que realmente têm. O silêncio é a energia que coloca o ser humano em seu eixo essencial, funciona como uma peneira ou uma balança que organiza e qualifica os pensamentos que resultam no que se É.
Sabendo-se disso, o silêncio pleno faz parte do processo criativo de um home livre, sábio, genial.
O que diferencia o silêncio plenitude do silêncio de vacuidade é o manuseio desse valioso instrumento condutor. A ausência do som externo acompanhada da ausência de si mesmo é o vácuo, de modo que, a ausência do som acrescida de pensamentos interiorizados transformam-se em plenitude.
Para utilizar do silêncio pleno, é necessário que se atinja um nível de Consciência Cósmica, é preciso saber que somos seres vulneráveis ao ambiente e a tudo que está presente nele. O saber dessa vulnerabilidade nos torna menos vulneráveis, e só é possível perceber tais coisas com o auxílio do silêncio plenitude, para então, aplicar a luz do ser no existir cotidiano.
Quando o homem busca essa consciência de universo, de peça única e fundamental,da importância de sua visão de mundo para sua própria atuação nele, quando a busca pelo conhecimento deixa de ser uma virtude para se tornar necessidade básica, aí então acontece a plenitude. O silêncio infinito atua aí, onde a consciência permite a conexão do universo como todo com o ser total. Chega a ser  katharsis .
 A essência do homem não se capta através da visão, é abstrata e só é percebida quando se concretiza na ação, mesmo que impura, já contaminada. A partir do momento em que a ideia passa a ser pensada, ela já se contaminou pelas influências externas.
Huberto Rohden deixa claro em seu texto, que, as características do Ser são infinitas e plenas e são representadas através da verdade universal, da sabedoria. O existir é finito, claro, assim como tudo o que se origina dele. O homem precisa do silêncio pleno para se tornar mais sábio, evoluir espiritualmente e conquistar a valiosa consciência de ser uno, para encontrar a verdade sobre si mesmo.
Todo processo criativo é artístico, o próprio ser é arte, quando se aplica o silêncio pleno na produção de qualquer obra de arte, ela se torna mais próxima de Ser verdadeira, mais próxima da consciência de que o que sabemos, diante daquilo que não conhecemos é constrangedor. A valoração do que eu não sei, é mais importante do que me gabar do que sei, está aí a busca, o entendimento e a essência de tudo.
O silêncio como arte na plenitude de ar.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

cena longa e lenta

sem métrica...sem rima....sem prosa...que dirá poesia...
                                                                          sem eira nem beira.
me ausentei por uns dias
morri de saudade
não sei se foram os                       guizos
alguma coisa me despertou

ou a falta de ar.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

ehlo ♠

O anoitecer decora a penumbra nos vitrais
reflete o mundo
uma exposição gratuita

olho o mundo
olho o reflexo do mundo
estou no mundo
não estou no reflexo do mundo

será que vão acreditar?

entrei no ônibus e fui embora.

terça-feira, 15 de maio de 2012

"...ele se infiltrou no povoado como uma cobra venenosa..."

Sim, sou o veneno.
um tipo de deus que mata e ressuscita.
sou aquela, a indesejada, mas não por unanimidade,
não poderia estar viva se fosse o contrário,
não suportaria a morte por asfixia,
prefiro assim, o enforcamento diário pelas cordas que me dão.

Meu veneno são os olhos, que vêem e enxergam,
os ouvidos, que armazenam o silêncio das falas.
meu veneno é o contato, o sentir físico
o imediatismo do desejo.

Meu veneno tem gosto de dúvida, é ácido.
É o perceber, o questionar, o tornar real.

E, na pontas dos pés, de passo em passo dou meus saltos
para tilintar nos ouvidos do eco
e confundir seus achismos.




segunda-feira, 7 de maio de 2012

por fim; o começo


De tempos em tempos tiro a poeira dos ombros,
estico os membros, estralo os ossos
para perceber se esse corpo me cabe

Vez ou outra gosto de me entristecer,
para ver se cresço um bocado
Gosto dos tapas bem dados e das palavras
precisamente ditas em horas inoportunas,
que é para perceber se ainda sinto alguma coisa

Experimento o amargo e em seguida o doce,
para me conflitar um pouco
Mato e faço viver sensações distintas,
para ver se me obedeço

Leio romances chatos para lembrar do que não quero,
alimento a ficção para levar uma vida melhor

e, por fim; o começo.
Agarro-me aos detalhes para tentar ser humana.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Verso para Clarice

É que eu também sou o escuro da noite e de todo eco que o compõe.Quando grito o silêncio, é tempo perdido, coisa que palavra nenhuma consegue escapar. E se dita no auge da pretensão, torna-se repleta de sentido nenhum.Lancei-me, mergulhei por inteira, perdi o fôlego e afoguei-me numas mágoas imbecis. Defeitos.
Não posso fazer nada quanto a me equilibrar no caos, acho que é coisa de circo, um talento passado que deixou sinais. Quanto valem esses receios enquanto escrevo? Não mais que minhas outras sensações, e por isso, percebi que esse é mais um daqueles bilhetes que trocamos sem segredo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

e ninguém tem

qualquer assunto é a saída quando o silêncio incomoda
quando não se sabe o que quer, qualquer sensação é morna
qualquer direita é torta
qualquer bebida cai bem

meu bem, se não, é meu é de quem?
tem dono ou não tem?
menino tolo, deixe de ser bobo
que ninguém é de ninguém



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Awop-bop-a-loo-mop alop-bam-boom

- Dê-me a mão; disse.
Trouxe ao peito, pressionei com a força de quem não quer deixar dúvidas, perguntei em seguida:
- é esse o ritmo ?
ele, com os olhos demasiadamente abertos, esboçou um meio sorriso e disse:
- é.
Levantei-me, saí da meia luz e sus pirei:
- então vamos dançar.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Anemoscópio

Engulo o vento e coleciono suspiros
estufo o peito e direciono palavras
coisas perdidas
frases soltas
poetas esquecidos

dei a letra
para vendo
numa outra
direção


que no alto não se usa os pés
que o vento não se tem nas mãos
 que são cópias de partes inteiras
o vento
a letra
as mãos.

sexta-feira, 16 de março de 2012

cinemudo

lembranças do cinza
aquele fosco sedutor
lembranças das cortinas fechadas
da cor pálida
da meia luz no quarto
dos chás

estado febril confortante
dizeres da máquina de carne moída
pré tensões putrefatas
volátil

são os olhos
esses alarmadores
que quando captam o suficiente
gozam no rosto
sádicos

segunda-feira, 5 de março de 2012

aos poucos

Os músculos, traumatizados ainda doem. As veias continuam saltadas e já é outra noite. Não sei se durante o sono o sangue esfriou, sei que dormi pouco e mal. Para um corpo traumatizado, o tempo é mais gentil,somos menos responsáveis. O que pretende o tempo fazer com a minha cabeça? Não vou esguiar de minha própria existência, vou me culpar apenas pelo que sou e pelo que fiz.Os achismos eu deixo para você. Não é o corpo que treme, é o choque do meu mundo com as palavras tuas. Não é a vermelhidão do meu rosto, do meu pescoço, dos meus braços que me faz ser tela, é a cena toda que me fizeram ser parte. É o muro e são as pedras. O que posso fazer, se toda reação que me permito expor, com a maior fragilidade, te faz subir uma sobrancelha, lançar aquele sorriso irônico? Tudo soa como exagero. E aí meu corpo treme, desesperado por compreensão, por qualquer sinceridade. O respeito se perdeu no tom das perguntas e o que ficou no peito, não é bom. O drama perfeito, digno de Hollywood. E não sou eu quem dirige, não sou eu quem atua, não sou eu que sou. O que me permitiram ser, eu recusei. Agora estou sozinha. Não sou vítima, não sou vilã, sou a completa falta de existência. Vou mentir e me destruir aos poucos. Um ataque de nervos, eu sou a louca.

domingo, 4 de março de 2012

Ficção III : perdão, só que ao contrário

O pior dia da minha vida, foi quando descobri o que minha família acha que eu sou.
Eu sou intragável, a decepção personificada, o vício, o descontrole, o desrespeito, a vergonha nos olhos de quem vê. Sou tudo isso, senhores da razão, tudo isso só que ao contrário. Egoísmo é me ter como exemplo aos seus modos e jogar esse fardo nos ombros de quem daria a vida por vocês. Sim, eu sei que fariam o mesmo, mas não sem antes me matar. Renasci numa noite para morrer noutra. Colocaram-me novamente na posição que eu menos gosto de estar. Agora eu sou esse animal raivoso. Agora e outra vez.
Dez anos de culpa pesaram hoje, e me tornaram isso. Sem culpas pelo que não sou, e toda a culpa pelo que faço. Esse animal.
Só que ao contrário.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ficção II : seguem os minutos contados depois das horas

Ela logo soube aonde estava entrando. Passado o primeiro confronto, palpitações ainda fora do ritmo habitual, aquela noite foi travada. E daquele pontapé, outras pancadas seguiram a impactar a massa cinzenta, um universo inteiro abalado por um suspiro tremido. Quantas veias saltaram do pescoço, da testa, das mãos, quantos nós sufocantes haviam se dado e os desejos interpretados tortuosamente, quantos minutos contados depois das horas, todos devidamente contados. Por debaixo da calça florida, feita de um pano leve e solto, por debaixo de seu diminutivo, dentro era oceano, era o balanço feroz de uma ressaca. Tanta água , tanta água para se afogar, tanta profundeza que a pressão se equivalia a imensidão do escuro molhado. Não podia-se medir, era insulto de uma pequeneza deplorável. Ela não dizia uma palavra formada, eram sílabas, era gorjeios loucos por liberdade, pela esmola, pela sensibilidade ínfima. E respirava forte, seria notada em qualquer ambiente por aquela respiração, por aquela e só. Seguem as pausas, os olhares baixos, o franzir da testa, seguem os minutos contados depois das horas, o silêncio descomunal e o sepulcro sentido daquilo. A cena era linda, a mulher apaixonada é linda.
-O que é que se pode concluir aos vinte e quatro? Ela pensava enquanto buscava mais perguntas.
E logo a resposta sarcástica vinha vomitada, imbecil.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ficção I : um envelope cor de pele com marca de batom vermelho puta

disseste repetidamente não para um desejo eloquente, um quase amor.
e depois das frases programadas, das palavras cheias de outras coisas, me atentei para outros lados. Distraí-me, querido.O anseio pelo suspiro já não é, procurei alguma ardência, formigamento, alguma emoção, só me chegava a negação. Perdi em algum momento que não sei qual foi, a vivacidade daquilo tudo, a história agora é crônica, rápida. A ausência de sentido me tomou conta, rasgou o peito, percorreu as veias cheias do sangue fervoroso, vermelho puta, paixão. Gostar da intensidade é beirar ao precipício, tanto quanto seu oposto extremo. E cruzar essa linha pode ser fatal, na pior das hipóteses. O que pairava no ambiente era uma expectativa por descobrir, num descuido da vaidade, alguma sinceridade. A expressão era continuamente monótona e eu caí na observação, sempre tendi ao silêncio...Fui posta numa posição que não me serve, como se implorasse por alguma reação. Não, não é nada disso, meu bem. Não se culpe por não ser um psicótico, um anormal, um avulso às sensações, que não é tua essa vida, é de um outro ídolo, uma outra personagem...Nossos calcanhares de aquiles são maravilhosos depois que descobertos e aceitos, a dor é boa, o sangue ferve, vida. É linda tua fragilidade mascarada e tua sensibilidade à flor da pele, apesar dos desgostos da carne e outros traumas, é maravilhosa a frustração por medo de tentar gozar o mundo, é fundo querido, profundo.Outra hora talvez eu queira seduzir você, num abrupto surto sexual. E dizer tanto sexo por agora faz com que eu ache graça, porque não é minha prioridade. Sim, a libertinagem me proporciona tudo isso, mas em períodos férteis, não é contínuo, não é. Essa sua falta de coragem e ação só me remeteu ao que mais te incomoda, a destruição por opção. Tão romântico és...e eu sou apenas uma apaixonada. Chore, meu quase amor, quando quiser ....que eu olho para trás e sorrio para você.

Com carinho,
Paixão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

sobre como sentir sem tocar é tão real quanto tocar para sentir

que atrevimento...que pretensão!
me comer daquele jeito
com olhos de predador
e eu, como toda caça me congelei
e quando percebi que teria que agir
qualquer coisa, qualquer uma
pra não deixar morrer
agi como quem diz; senti
desajeitada, comida.
aquela foi a nossa primeira
transcendeu e cá estou
a escrever sobre uma transa que de fato aconteceu
em outro plano, de uma outra forma
sem toques, sem carne
só olhos, boca e água

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quéns?

palavras ou gestos?

sem cartas na manga, nem frases de efeito
desconcertante a mente simples
cada palavra, um elemental cravado na memória do universo
verso único

o ato de fato concretiza a intenção terciária da palavra
o que vale?
supra sumo da ideia ou a ação impregnada de impulsão?
é físico, new.

quanto diz tuas palavras, sabes?
quanto vale tua ação, percebes?

o ato pensado não é a essência
essência é outro freelance
e além das coisas existem outros poréns

rasgo o peito para me encher de bravura
e dizer que;
certas vezes sei do que falo
erradas, tantas outras.

falo para o tudo e para ninguém
tenho medo
por fim, quem não tem?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

estilhaços

tristeza tem um único significado
as intensidades é que pairam em outros níveis

sim, eis o idílico encanto do abstrato
que é tudo só por ser visto, ouvido, sentido

O silêncio...esse fazedor de mentes...

É muito sentido para muita matéria
é tanto sentido que o próprio sentido quando descoberto
se encontra no centro do mundo,você
as coisas são coisas e só.

egos espelhados, espalhados por tudo.

Agridoce

Sutil leveza do cê .

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

contráridos

bastassem os ácidos queimarem por dentro
agora a nausea mareante
sobe o vômito até a garganta
quente grosso

os tecidos se rasgam - é vingança
uma guerra sangrenta para mim

anseios de uma vida curta
repleta de longas curvas de expressões marcadas
expressões atemporais

o que é que mostra o tempo afinal?
o quanto você o perde
o quanto se perde para que no final
encontre o amargo desprazer de não ser o que se é
a secura de querer ter sido
tempo perdido

repentinos calafrios interiores
o labirinto sem fim
é o tempo que te tem
e não o contrário



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

trinca-me

Jogos são divertidos para quem sabe jogar...
e se você não sabe, o que te resta é ser sincero

ideias embaralhadas
sem quina, só trinca

sem essa de deixa
se queixa do blefe pelo não pokear

manera no tom
exagera no som

olha pra mim
que é assim que se joga.