terça-feira, 18 de outubro de 2016

Duas Janelas, meia vista



Daqui desse exato lugar, duas janelas, meia vista.
Uma revela o movimento do mundo, lá.
Aflige dois corações.
A outra, de costas para o mundo, acentua a angústia da inércia imposta.
Dois corações repousam, marcados pela mesma razão.
O rasgo no peito nunca havia sido literal. 
Agora, ponto a ponto, vê-se o frágil do ser.
Vive-se a condição vulnerável que cicatriza no corpo lembranças de uma guerra.

O estrategista companheiro, caminha ao lado. 
Busca através da ideal estrada da sabedoria, a força dos bons ventos.
Erra, desvia-se, culpa-se, contudo, segue.
Nada há de importar além da saída.

Duas janelas, meia vista.

O seguir adiante interrupto da jornada, inverte natural e bruscamente a simbologia conhecida.
Transforma.
No chão azul, espalha-se o sal da água que tenho bebido.
O céu, cinza em sua imensidão, revela lentamente que a força do companheiro impaciente por si, há de se firmar.
Do alto, observa-se o que já passou.
Terras inférteis, instáveis, castelos de areia.
Os mais temidos inimigos enfrentamos.
Outra batalha há de chegar antes que o alívio da última aconteça.

Dois corações, lado a lado arrastam-se pela mesma estrada à procura do próximo abrigo.
Nada sabe-se além do corte, das cicatrizes, do sal, do azul, das areias. 
Todavia, dois corações pulsam e hão de permanecer.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Como é que um cabelo branco pode causar espanto a alguém que idealiza o passar do tempo?
Como é que o reflexo, ainda que evidente, causa estranheza?
Como é possível ser sem estar?
Quantos sentimentos guarda o amor?
Ciência divina essa a nossa,
que oferece resposta ao diferir do corpo e da mente
Possibilidades de um futuro, saudade certa
Por qual motivo, e que seja possível um dia saber, o final é triste?
Quando foi que o silêncio passou de achar a perder?


Quando a vista, desfocada, percebe a "imersidão" distante do agora.

quarta-feira, 17 de junho de 2015


Quando não há o que se dizer, melhor não dizer nada.
O silêncio não falha.
O idiota que romperá o silêncio com palavras compatíveis à sua imbecilidade, sempre existirá.
Facetas múltiplas nascerão e, pelo óbvio, também hão de morrer.
O herói, o ingênuo, o bondoso, o louco!
Seriam essenciais se, por ventura, existissem.
Saudações àqueles que transparecem as próprias falhas!


terça-feira, 10 de março de 2015

Que a luz encontre você que não evolui;
Que o mal que desejaste a mim jamais volte a você;
Que tenhas o amor de família como prioridade;
Que adquiras consciência para lidar com tua culpa;
Que consigas te perdoar;
Que despertes para a vida e não para morte;
Que cuide do sangue de tu;
Que opte pela inteligência;
Que o universo cobra com veneno se feriste o outro por querer;
Que a escuridão é desesperadora para pessoas como você;


Que eu me planto, me cultivo, me colho, me protejo, me percebo.
Que o que é meu, é meu e o seu, aqui não permanece.
Obrigada pela oportunidade de me fortalecer.

Ser você já é o bastante, não desejaria mais nada.









terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O ser completo


A pessoa em sua excelência, na melhor das conotações, talvez na verdade de existir, é falha. Tende para o bom, para o ruim, erra sempre e aprende quando quer, quando dá. Continua vivendo quando não tem vontade, vive mal. Toma café à noite sabendo que precisa dormir.Acorda desfocada e vai.
A pessoa completa pula de um amor para outro sem pestanejar. Volta quando sente falta, tenta...

A fala então,é refluxo.

Olha a si, observa e admira a imagem que constrói e também depreda.
Diz pouco quando precisa dizer mais e cala enquanto o som se exauri por dentro.
O ser completo existe e é ruidoso. Carrega consigo a mentira e o remorso.
O ser completo tenta de novo (...)

(repetir)