segunda-feira, 7 de maio de 2012

por fim; o começo


De tempos em tempos tiro a poeira dos ombros,
estico os membros, estralo os ossos
para perceber se esse corpo me cabe

Vez ou outra gosto de me entristecer,
para ver se cresço um bocado
Gosto dos tapas bem dados e das palavras
precisamente ditas em horas inoportunas,
que é para perceber se ainda sinto alguma coisa

Experimento o amargo e em seguida o doce,
para me conflitar um pouco
Mato e faço viver sensações distintas,
para ver se me obedeço

Leio romances chatos para lembrar do que não quero,
alimento a ficção para levar uma vida melhor

e, por fim; o começo.
Agarro-me aos detalhes para tentar ser humana.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Verso para Clarice

É que eu também sou o escuro da noite e de todo eco que o compõe.Quando grito o silêncio, é tempo perdido, coisa que palavra nenhuma consegue escapar. E se dita no auge da pretensão, torna-se repleta de sentido nenhum.Lancei-me, mergulhei por inteira, perdi o fôlego e afoguei-me numas mágoas imbecis. Defeitos.
Não posso fazer nada quanto a me equilibrar no caos, acho que é coisa de circo, um talento passado que deixou sinais. Quanto valem esses receios enquanto escrevo? Não mais que minhas outras sensações, e por isso, percebi que esse é mais um daqueles bilhetes que trocamos sem segredo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

e ninguém tem

qualquer assunto é a saída quando o silêncio incomoda
quando não se sabe o que quer, qualquer sensação é morna
qualquer direita é torta
qualquer bebida cai bem

meu bem, se não, é meu é de quem?
tem dono ou não tem?
menino tolo, deixe de ser bobo
que ninguém é de ninguém



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Awop-bop-a-loo-mop alop-bam-boom

- Dê-me a mão; disse.
Trouxe ao peito, pressionei com a força de quem não quer deixar dúvidas, perguntei em seguida:
- é esse o ritmo ?
ele, com os olhos demasiadamente abertos, esboçou um meio sorriso e disse:
- é.
Levantei-me, saí da meia luz e sus pirei:
- então vamos dançar.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Anemoscópio

Engulo o vento e coleciono suspiros
estufo o peito e direciono palavras
coisas perdidas
frases soltas
poetas esquecidos

dei a letra
para vendo
numa outra
direção


que no alto não se usa os pés
que o vento não se tem nas mãos
 que são cópias de partes inteiras
o vento
a letra
as mãos.